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{Coluna} Microfone aberto! Poesia na Cidade.



Eu lembro a primeira vez em que entrei em um sarau. Já havia passado a hora do rush, eu estava cansada de um dia árduo, então fui até um centro comercial descansar. E em um dos restaurantes acontecia um sarau ao ar livre. No momento em que me sentei, o dirigente deu as boas vindas ao público e gritou: “Microfone aberto!”

Eu nunca pensei que duas palavras pudessem fazer meu coração saltar de excitação! Após a liberação do microfone seguiu-se um desfile de artistas, amantes da literatura e da poesia, apresentando trabalhos autorais e de personalidades consagradas. E eu, sentada ao fundo, me embriagando com aquelas palavras.

Encontros de poesia, como vim saber depois, eram mais frequentes do que eu pensava: perdi a conta de quantos já visitei entre o Rio e Niterói após este primeiro. Muitos acontecem há anos, outros embarcaram no sucesso que têm sido os saraus e se motivaram a criar os seus. Há saraus para causas beneficentes, e até aqueles que o utilizam como atração para inauguração de novos espaços. O fato é que com isso muitos “anônimos” têm se encorajado a tirar seus materiais da gaveta e expô-los: quer melhor crítico do que o próprio público?

{Resenha} Zona Mórfica



Título: Zona Mórfica
Autor: Cleber Pacheco
Editora: Livro Rápido
ISBN: 9788577163830
Número de Páginas: 206
Ano: 2008
Classificação: 

Às vezes esquecemos que absurdos e instabilidades são causados por pessoas que imaginam, conspiram, distorcem, sentem medo. O escritor Cleber Pacheco parece não esquecer, ao transformar a inconstância em atrativos que compões sua “Zona Mórfica”, uma coletânea de contos com nove histórias sinistras e envolventes que guiam o leitor por cativantes tramas de suspense, terror e fantasia.




Se tivesse sido escrito nos anos 80 Zona Mórfica certamente faria um sucesso avassalador, pois pode ser comparado com o seriado Além da Imaginação – e de fato, pesquisando a vida do autor, esta foi a base de suas inspirações. Seus contos são ágeis, sem muitas introduções, já começam nos expondo os conflitos de seus personagens. Não há mocinhos propriamente ditos neste livro; a maioria são anti-heróis. Fogem do padrão convencional no que diz respeito à tomada de decisões; são jovens que tentam ser rebeldes ou estão com raiva de alguma coisa.

Infelizmente os contos de Pacheco tendem mais para sinopses de roteiro, o que lhe favoreceria bastante se embarcasse nesta área (vide as investidas em temas do gênero nas emissoras de televisão e canais Streaming). Essa linha cinematográfica que segue deixa o material muito linear, porém, em alguns desses contos as viradas na história são confusas; até surpreendem, mas deixam o leitor se perguntando “porquê?”, ou “é só isso?”.

A já citada rebeldia de seus personagens os deixa um pouco estigmatizados, ainda mais pelo excesso de gírias utilizados para reforçar suas atitudes. Até quando os parágrafos são reflexivos, parece que o volume de palavras serve somente para preencher um quantitativo do que significar alguma coisa.

Contos de suspense são difíceis de serem escritos porque exige mais daquela habilidade que os escritores têm de prender o leitor com as palavras; em um suspense é preciso deixar o leitor sem ar, ávido pela continuação. Quer seja pela simples curiosidade de ver como tudo termina, quer seja pelas surpresas a cada virada de página, um suspense bem escrito marca a memória do leitor.

É por isso que apesar de morno, é visível que Pacheco tem boas histórias nas mãos que merecem ser lidas e num futuro próximo, aprimoradas. Muitos filmes, seriados e livros de sucesso foram inspirados na memória cultural de seu criador e estes contos são uma boa base para isto. Considerando que esta foi uma antologia que reuniu seus primeiros contos, aguardo ansiosamente a evolução literária do autor.

Afinal, precisamos de mais nomes brasileiros na literatura mundial!